19/10/2013

Ausência





Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado.
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne como uma nódoa do passado.
Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face.
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada.
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite.
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa.
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço.
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos.
Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir.
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas.
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.
Vinicius de Moraes
Hoje se comemora o centenário do poeta Vinicius de Moraes , um grande escritor.

Um comentário:

Gabi Castro disse...

Oiii!! Tudo bom? Lembra-se de mim? Acho que não né? Pudera! Estou há tanto tempo sumida! Kkkkk
Passei aqui rapidinho pq vc é uma das bloggeiras que eu adoro e parceira do meu antigo Abrindo os livros... Não, eu não o exclui, apenas mudei o nome e o link. Agora ele se chama CEMITÉRIO DOS LIVROS ESQUECIDOS. Poderoso hein? Kkkk Foi inspirado em um livro, que você com toda a certeza deve ler algum dia!
Bem, desculpe não comentar a postagem, mas foi rápido só para explicar hehe
Muitos xerus
Gabi
(http://cemiterio-dos-livros-esquecidos.blogspot.com/)